O primeiro dia do Seminário Ubuntu: Educação e Cultura Negra no Paraná marcou o início de uma programação voltada à valorização da cultura negra, ao fortalecimento de redes e à construção coletiva de caminhos para novas ações e agentes culturais no estado.
Realizado no Teatro Sesi CIC, o encontro reuniu representantes de diferentes trajetórias e atuações, evidenciando a potência da articulação coletiva. A escolha do bairro Cidade Industrial de Curitiba (CIC), região com uma das maiores populações negras da capital, reforça o compromisso do seminário com o território e com a descentralização das ações culturais, aproximando o debate das realidades vividas pela população.
A mesa de abertura contou com a participação de Cleci Martins, coordenadora executiva da Rede de Mulheres Negras do Paraná (RMN-PR), Danuse Porciúncula, coordenadora do projeto Ubuntu, Loa Campos, coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultura no Paraná, e Berquelei Matheus Costa, que participou da construção nacional do movimento hip hop e atua como assessor parlamentar.
Durante sua fala, Cleci Martins destacou o papel da Rede enquanto Pontão de Cultura na articulação de políticas e iniciativas no estado. “Enquanto Pontão de Cultura, nosso papel é articular, formar e incidir. É contribuir para a construção de políticas públicas e fortalecer agentes culturais em diferentes territórios”, afirmou. A coordenadora também reforçou o compromisso com as pessoas: “Nosso compromisso é com o bem viver. Trabalhamos enquanto instituição, mas nosso compromisso é com as pessoas”.
Danuse Porciúncula contou como foi o processo de construção e escrita do projeto Ubuntu, que deu origem ao seminário, iniciativa da Rede que hoje se consolida como espaço de formação e encontro coletivo.
Representando o Ministério da Cultura no estado, Loa Campos trouxe reflexões sobre reconhecimento e pertencimento, destacando a importância de ocupar e construir esses espaços coletivamente. Em sua fala, também ressaltou a relevância de iniciativas como as promovidas pela Rede, que fortalecem trajetórias e ampliam o alcance das políticas culturais.
O debate também evidenciou conquistas importantes da cultura negra, como o reconhecimento do hip hop como patrimônio cultural imaterial, resultado de uma construção coletiva do movimento. Nesse contexto, foi destacado o curso de extensão “Hip Hop em Extensão: formando pessoas, multiplicando a cultura”, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), uma iniciativa pioneira no Brasil voltada à formação de oficineiros nos quatro elementos do hip hop — MC, DJ, Breaking e Graffiti — além da filosofia do movimento. Coordenado pela PROAFE/UFPR, o curso gratuito oferece certificação universitária.
Berquelei Matheus Costa reforçou o caráter coletivo dessas conquistas e a importância da continuidade da luta: “Quando nós avançamos, não deixamos ninguém para trás”.
Encerrando o primeiro dia, a apresentação de Janine Mathias trouxe a potência da música negra como expressão de resistência e identidade. Em sua fala, a artista destacou a importância da escuta e da valorização de vozes historicamente silenciadas: “Para quem tem a voz silenciada, ser ouvida é ouro”.
O primeiro dia do Seminário Ubuntu reafirma a cultura como espaço de construção coletiva e fortalecimento de redes, conectando trajetórias e apontando caminhos para o futuro.
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